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É possível ter uma vida sem dor de cabeça?

Publicado 30/05/2022
Novidade

Dia Nacional do Combate à Cefaleia mostra a importância de prevenir e buscar tratamento para um problema que atinge metade da população mundial

E uma nova revisão de evidências publicada pelo The Journal of Headache and Pain no último mês, estima-se que 52% da população global é afetada por um distúrbio de dor de cabeça. No mês que marca o Dia Nacional do Combate à Cefaleia (19/05), nome médico dado aos quadros dolorosos na região da cabeça, o dado traz um alerta. 

"Isso é um problema de saúde pública. Além de ser altamente prevalente e incidente, a cefaleia é uma das queixas mais comuns nos serviços de saúde ambulatoriais e de emergência¹. Além disso, muita gente não sabe que ela é uma doença e que precisa ser tratada", explica a neurologista com atuação em dor de cabeça, Dra. Eliana Melhado (CRM: 78661). 

Enxaqueca pode acometer 14% das pessoas ao redor do mundo, principalmente mulheres

Segundo nova análise, que revisitou 357 publicações realizadas entre 1961 e 2020, 14% dos casos são relacionados à enxaqueca. A médica, que também é autora dos livros Cefaleia na Mulher e Dor de cabeça e Enxaqueca: Tudo o que você precisa saber!, conta que trata-se de um tipo de cefaleia com características próprias e impactos muito significativos na qualidade de vida, bem como nos custos econômicos, despesas médicas e redução da sua produtividade².

"Indivíduos com algumas chances também estão com mais preocupação, transtornos de humor, alterações do sono⁴ e  quatro vezes maiores⁵ do que a população pontua a especialista. Em 2019, segundo o Global Burden of Disease Study (GBD), a maior foi em segundo lugar entre as causas de incapacidade no mundo - e a primeira entre mulheres jovens³.

Aliás, elas são 3 vezes mais impactadas por este distúrbio quando comparadas aos homens⁶. "A maioria está numa fase de plena capacidade produtiva, mas têm problemas porque a rotina é tomada pela doença. Muitas delas se sentem culpadas porque não conseguem cuidar adequadamente dos filhos, da casa e de si mesmas, podendo ter problemas conjugais, perder uma festa ou uma entrevista de emprego por estarem acamadas", relata a neurologista. 

Pela classificação internacional de cefaleia, há 13 grupos e modalidades da condição: algumas são mais comuns nos homens, como a do tipo tensional e em salvas. Apesar disso, a maior parcela ainda é encontrada nelas. 

Hábitos podem ser gatilhos para as crises de dor de cabeça

Além das interferências hormonais, que justificam o maior aparecimento das cefaleias em mulheres, há também fatores ambientais e hereditários que influenciam no desenrolar das crises dolorosas. 

A predisposição genética é uma das principais fontes do problema, mas estresse, privação do sono e questões alimentares, como o consumo de alimentos considerados gatilhos ou jejum prolongado, são algumas questões que podem atuar negativamente em um organismo predisposto às dores. 

"Essas são questões importantes, que devem ser abordadas pelo médico em consulta. O paciente também precisa prestar atenção a elas, bem como descrever medicamentos que costuma tomar ou se há alguma outra doença em tratamento. Uma boa dica é manter um diário da dor, anotando quais situações antecederam os episódios dolorosos", indica Dra. Eliana Melhado. 

É possível viver sem dor?

A prevenção é a peça-chave para o controle das crises de cefaleia. Ao notar a presença das dores ao longo do mês por 15 dias ou mais, durante três meses, é hora de buscar um neurologista, porque nessa frequência o problema já pode ser considerado como crônico. 

"O diagnóstico precoce permite que possamos traçar uma estratégia multiprofissional para diminuir essas dores e prevenir que elas não voltem a aparecer. Ao entender o caso individual de cada paciente, podem ser recomendadas a fisioterapia, reabilitação física, psicologia e psiquiatria, e ginecologia, no caso das mulheres, tudo para oferecer mais bem-estar a essa pessoa que está, muitas vezes, em sofrimento", complementa a médica. 

No tratamento de base, podem ser indicados medicamentos orais, como os da classe dos antidepressivos tricíclicos, neuromoduladores, betabloqueadores e bloqueadores dos canais de cálcio, assim como os medicamentos injetáveis. 

Já estão sendo estudadas medicações, como anticorpos monoclonais⁷ para prevenir crises agudas, e dispositivos, a exemplo de equipamentos que podem dar pequenos choques ou produzir ondas que modulam a região cerebral responsável pela comunicação da dor. 

"A ciência continua avançando, mas o indivíduo precisa aderir às terapias propostas e consultar um profissional com regularidade. É preciso entender que não adianta apenas viver mais, é preciso viver com qualidade. Isso só é possível sem dor", finaliza a especialista.  

Referências: 

1. Protocolo Nacional para Diagnóstico e Manejo das Cefaleias nas Unidades de Urgência do Brasil - 2018. Academia Brasileira de Neurologia – Departamento Científico de Cefaleia e Sociedade Brasileira de Cefaleia. Disponível em: https://sbcefaleia.com.br/images/file%205.pdf Acesso em: 06/05/2022

 2. Steiner TJ et al. O impacto da dor de cabeça na Europa: principais resultados do projeto Eurolight. J Dor de Cabeça 2014; 15: 31

 3. A primeira ocorrência continua em segundo lugar entre as mulheres de incapacidade no mundo e as jovens: GBD201. O Jornal de Dor de Cabeça e Dor. Disponível em: https://thejournalofheadacheandpain.biomedcentral.com/articles/10.1186/s10194-020-01208-0 . Acesso em: 06/05/2022

 4. Sociedade Brasileira de Cefaleia Disponível em: https://sbcefaleia.com.br/noticias.php?id=3 . Acesso em: 06/05/2022

 5. Ônibus DC, Manack A, Serrano D, Turkel C, Lipton RB. Perfis sociográficos e como de pacientes com episódios crônicos e crônicos de episódios. J Neurol Neurocirurgia Psiquiatria. 2010 abr;81(4):428-32.

 6. Sociedade Brasileira de Cefaleia Disponível em: https://sbcefaleia.com.br/noticias.php?id=351 . Acesso em: 06/05/2022

 7. Siega, M., Souza, B., Teles, L., Binder, L., & Tokarski, L. (2020). Uso dos monoclonais para migrânea no Brasil: experiência de um Centro Terciário de Cefaleia em Brasília. Medicina da dor de cabeça, 37-37. 


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