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Comida sem dor de cabeça: o impacto dos alimentos na enxaqueca

Publicado 05/04/2022
Novidade

Nutricionista explica qual é a relação do que comemos as crises de enxaqueca

Quem convive com crises de enxaqueca já sabe o quanto elas podem ser dolorosas e prejudiciais. Mas apesar de uma doença genética e crônica, que atinge a cerca de 30 milhões de pessoas, muitas delas ainda desconhecem como bons hábitos podem ajudar a manejar ou diminuir o problema. 

Um deles é a alimentação, que comumente traz desafios aos enxaquecosos. E para esclarecer algumas dúvidas sobre este tema, conversamos com a nutricionista especialista em enxaqueca, Dra. Andreia de Oliveira (CRN 62597), membro da equipe da Headache Center Brasil. 

“A enxaqueca é uma doença de hiperexcitabilidade cerebral, então qualquer coisa que contribua para essa excitação, e seu consequente desequilíbrio, será um fator desencadeante de crises. Podemos encontrar uma gama de componentes nos alimentos que exercem efeitos excitatórios no cérebro e que, por essa razão, podem provocar as dores”, conta a especialista. 

Afinal, há alimentos vilões para enxaqueca?

A nutricionista ainda explica que algumas refeições podem servir como gatilhos alimentares para as crises. Entretanto, são casos muito particulares e que variam de acordo com a sensibilidade a um determinado componente do alimento, quantidade e frequência de consumo, tempo de exposição, fatores genéticos, ambientais e emocionais, bem como a gravidade da doença, o que impede de afirmar que um único alimento é vilão ou causador das dores. 

De toda forma, existem grupos que são mais estudados como possíveis desencadeadores das crises de enxaqueca, a exemplo de:

- Bebidas alcóolicas;

- Chocolates;

- Queijos fermentados (ou seja, normalmente os mais amarelados);

- Adoçante à base de aspartame;

- Carnes curadas;

- Produtos industrializados com glutamato monossódico (por exemplo: miojo, molho shoyo, enlatados, entre outros);

- Cafés.

Uma observação em relação ao café: quando pacientes o bebem em excesso, é preciso ter cautela sobre como diminuir, uma vez que o efeito da retirada brusca pode causar ainda mais crise em um primeiro momento. Por isso, é fundamental que o paciente tenha um acompanhamento individualizado e especializado no tratamento da enxaqueca, a fim de entender o que ele deve ou não ingerir e de que forma.

“É comum que pessoas distintas tenham respostas diferentes ao consumo de determinado alimento, até mesmo para quem não tem enxaqueca. Para analisar as razões disso acontecer, é preciso entender a genética, possível sensibilidade, alergias ou intolerâncias”, relata a nutricionista.

Aliás, alguns estudos* indicam que estes dois últimos estão associados e uma resposta inflamatória do corpo que pode desencadear quadros dolorosos. Isso porque demais sintomas gastrintestinais afetam o eixo intestino-cérebro, fazendo com que tal desordem venha a provocar a enxaqueca.

Crises de referência estão disponíveis a diversos fatores

Vale sempre lembrar que há uma grande sensibilidade aos mais diversos estímulos na enxaqueca crônica, sejam eles alimentares, emocionais hormonais e sensoriais. “Até mesmo efeitos psicológicos e crenças do indivíduo podem contribuir para a percepção de que algo lhe faz mal. A enxaqueca crônica é uma doença com muitos aspectos que precisa ser cuidada de vários ângulos. Diante disso, a comida pode se tornar uma grande aliada no seu cuidado, mas não resolve tudo”, pontua Oliveira.

Assim, algumas mudanças são importantes a serem feitas para evitar a chegada da dor. Entre elas, fracionar as refeições, ingerir bastante água, incluir alimentos ricos em fibras, ômega três e magnésio (castanhas, abacate, leguminosas), vitamina B6 (fígado, banana, frango), B2 (vegetais folhosos, ovos, soja, leite) e coenzima Q10 (cereais integrais, carnes, oleaginosas), pois apresentam componentes com os efeitos protetores que ajudam o cérebro a funcionar de forma mais eficiente.

Por fim, na busca por uma alimentação que evite dores de cabeça, o mais importante - e que serve para todos - é evitar longos períodos sem comer, uma vez que a prática do jejum prolongado, bem como o hábito de pular refeições, pode favorecer a ocorrência das crises de enxaqueca.

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O texto acima possui caráter exclusivamente informativo. Jamais realiza qualquer tipo de tratamento ou se automedique sem orientação de um especialista.

Referências

      Arca, Karissa N e Rashmi B Halker Singh. “Desidratação e dor de cabeça”. Relatórios atuais de dor e cefaleia vol. 25,8 56. 15 de julho de 2021, doi:10.1007/s11916-021-00966-z

      Arzani, Mahsa et al. “Eixo intestino-cérebro e enxaqueca: uma revisão abrangente”. O jornal de dor de cabeça e dor vol. 21,1 15. 13 de fevereiro de 2020, doi:10.1186/s10194-020-1078-9

      Gália, Charly et al. “Melhoria dos sintomas da enxaqueca com um suplemento proprietário contendo riboflavina, magnésio e Q10: um estudo randomizado, controlado por placebo, duplo-cego e multicêntrico.” O jornal de dor de cabeça e dor vol. 16 (2015): 516. doi:10.1186/s10194-015-0516-6

      Gazerani, Parisa. “Enxaqueca e dieta”. Nutrientes v. 12,6 1658. 3 de junho de 2020, doi:10.3390/nu12061658

      Geiselman JF. "O uso clínico do teste de sensibilidade alimentar IgG com pacientes com enxaqueca: uma revisão da literatura". Curr Dor de Cabeça Rep . 27 de agosto de 2019;23(11):79. doi: 10.1007/s11916-019-0819-4

      Hindiyeh, Nada Ahmad et al. “O papel da dieta e nutrição nos gatilhos e tratamento da enxaqueca: uma revisão sistemática da literatura”. Dor de cabeça v. 60,7 (2020): 1300-1316. doi:10.1111/head.13836

      Marmura, Michael J. “Gatilhos, Protetores e Preditores na Enxaqueca Episódica”. Relatórios atuais de dor e cefaleia vol. 22,12 81. 5 de outubro de 2018, doi:10.1007/s11916-018-0734-0

      Razeghi Jahromi, Soodeh et al. “Associação de dieta e dor de cabeça.” O jornal de dor de cabeça e dor vol. 20,1 106. 14 de novembro de 2019, doi:10.1186/s10194-019-1057-1

      Spigt, MG et al. “Aumentar a ingestão diária de água para o tratamento profilático da dor de cabeça: um estudo piloto.” Revista Europeia de Neurologia vol. 12,9 (2005): 715-8. doi:10.1111/j.1468-1331.2005.01081.x

 


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