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Mulher e as dores de cabeça: Como entender esta íntima relação para viver melhor?

Publicado 12/03/2021
Enxaqueca crônica

As dores de cabeça estão presentes no dia a dia de muitas mulheres. E neste caso, não é qualquer tipo de dor de cabeça, a enxaqueca é três vezes mais frequente em mulheres do que em homens¹. 

A relação entre dores de cabeça e mulher chamou a atenção da neurologista Dra. Eliana Melhado (CRM-SP 78661), que escolheu o tema para desenvolver a sua tese de doutorado, que acabou dando origem ao livro “Cefaleia na Mulher”. 

Por aqui conversamos com a médica que atua há 20 anos no tratamento da doença, sobre os principais aspectos envolvendo as dores de cabeça na mulher em todas as fases de sua vida, e quais os caminhos para ter mais qualidade de vida.   

 EC: Quais são as condições que levam as mulheres a desenvolverem mais episódios de dor de cabeça?

Dra. Eliana: Essencialmente são condições hormonais. Na puberdade, quando iniciam os ciclos menstruais, a mulher já começa a ter mais dor de cabeça, em uma prevalência que tende a aumentar três vezes neste período, chegando até cinco vezes mais na idade mais fértil, até os 30 anos.  Esta é também a idade de mais impacto do ponto de vista profissional da mulher. Ou seja, a fase mais desafiadora da vida de uma mulher é também a fase que ela mais sofre enxaqueca.   

EC: Qual a relação entre as oscilações hormonais e as crises de enxaqueca?  

Dra. Eliana: A enxaqueca é uma doença genética, mas os ciclos menstruais e oscilações hormonais acabam resultando muitas vezes em dores de cabeça no período menstrual.  Essas dores de cabeça são do tipo enxaqueca em 70% das mulheres², e se dão pelo aumento de estrogênio na primeira fase do ciclo menstrual. Em mulheres que já têm o fator genético, soma-se, então, um ambiente favorável para desencadear a crise. Lembrando que podem acontecer também dores de cabeça fora do período, desencadeadas por outros gatilhos. 

EC: Como os anticoncepcionais interferem nas crises de enxaqueca? 

Dra. Eliana: Eu sempre falo que precisamos utilizar os hormônios a nosso favor. O anticoncepcional hormonal é indicado como método eficaz para evitar a gravidez, e ele também pode melhorar a crise de enxaqueca em até 40% dos casos², inclusive a Organização Mundial de Saúde o coloca como uma forma de tratamento para enxaqueca menstrual e de tensão pré-menstrual. 

Vale lembrar que o anticoncepcional não vai tratar a enxaqueca em si, isso vai acontecer com tratamentos preventivos convencionais, mas ele pode ajudar em casos em que a mulher nota uma melhora das crises, tanto menstrual quanto ao longo do mês. 

EC: Mas o anticoncepcional hormonal é sempre indicado?

Dra. Eliana: Não, em torno de 30% dos casos de enxaqueca menstrual ele vai gerar uma piora das crises ². O jeito de descobrir quando ele é um aliado ou não, é a partir da tentativa e erro, onde o ginecologista vai testar algumas opções de anticoncepcionais até encontrar a ideal.  

EC: É importante que o neurologista e o ginecologista trabalhem em conjunto no tratamento da enxaqueca na mulher? 

Dra. Eliana: Sim, esse é um trabalho que nós da Sociedade Brasileira de Cefaleia fazemos com as sociedades de ginecologia para termos essa interação. O ginecologista é o clínico geral da mulher, ele precisa vê-la como um todo, e nós devemos trabalhar em conjunto para tratar todos os problemas médicos dessa mulher para que ela tenha melhor qualidade de vida. 

EC: Diante dos fatores que levam as mulheres a terem mais ocorrência de dores de cabeça, qual seria a linha de tratamento mais indicado para elas?

A mulher tem que prestar atenção em si mesma, isso ajuda muito na nossa anamnese (levantamento do histórico de sintomas da paciente para a investigação diagnóstica de uma doença). Não tem uma linha de medicação específica que sirva para todos os casos, então tudo vai depender dos fatores de cada caso. Para cada perfil existem medicações e outras terapias a serem direcionadas.

Quando falamos em medicação preventiva, por exemplo, atuamos para colocar o fator genético, vamos dizer assim, “para dormir” e dar mais qualidade de vida para a paciente. Mas o primeiro passo é o autoconhecimento no que tange ao que você está vivendo, o que está passando, comendo, como está a sua rotina de sono. E no paralelo de tudo isso, observar a ocorrência de crises, quando elas surgem e como, para podermos fazer uma conexão entre causa e efeito.

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A entrevista completa com a Dra. Eliana Melhado, que também aborda outras situações da vida da mulher, como gestação e menopausa, você pode conferir no quinto episódio do Podcast Papo Cabeçahttps://bit.ly/8M_enxaqueca


Referências 

¹Migraine was ranked as the second cause for years of life lived with disability (YLDs) in 2016 in the world [2].

²MELHADO, Eliana. Cefaleia na Mulher e Dor de Cabeça e Enxaqueca: Tudo o que você precisa saber. Editora Atheneu Rio.2015



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